sábado, 17 de março de 2012

MÓDULO 4 - RELATÓRIO PPS

Curso técnico de formação para os funcionários da educação. Profuncionário – Turma 03
Professora: Aurineide Maria Moreira Hauth
Aluna: Rosilene de Lima
Referência: Módulo 4


RELATÓRIO DA PRÁTICA PROFISSIONAL SUPERVISIONADA DA FORMAÇÃO PEDAGÓGICA

Assunto: Relatório das Atividades Práticas desenvolvidas nos Estabelecimentos de Ensino.

Objeto da Apuração: Planejamento, Entrevista e Estudo de Caso

Local: Colégio Estadual Professor Caio Mário Moreira – E F M e Colégio Estadual Cianorte

Data: Novembro de 2008


Senhora Tutora do Curso Profuncionário Multimeios Didáticos:


Este relatório objetiva demonstrar os resultados das atividades práticas desenvolvidas nos estabelecimentos de ensino: Colégio Estadual Professor Caio Mário Moreira, no qual trabalho, e Colégio Estadual Cianorte, no qual realizo o curso do Profuncionário. Realizei as devidas atividades nos dias 03, 06, 07, 08 e 09 de Novembro, período em que me dediquei exclusivamente para a execução das mesmas. Dizem respeito ao quarto módulo do curso, o qual aborda a temática “Relações Interpessoais: abordagem psicológica”, de Regina Lúcia Sucupira Pedroza (2006), composto por cinco unidades que contemplam questões relevantes ao conhecimento dos profissionais da educação, tais como: a relação da psicologia com a educação; a psicologia do desenvolvimento e da aprendizagem; a noção de estágios em psicologia do desenvolvimento; entre outros. Tais conteúdos possibilitam uma construção teórica importantíssima para a compreensão de alguns aspectos do desenvolvimento psicológico e nos enriquecem, enquanto pessoas que atuam no campo educacional, na medida em que promovem uma reflexão mais elaborada acerca do papel não só da escola, mas da sociedade como um todo na formação do sujeito.
Como primeira atividade prática, nos foi proposta a elaboração do planejamento de uma aula, em abordagem psicológica, do filme “Náufrago”, o qual apresenta diversos aspectos psicológicos que podem estar sendo trabalhados em sala de aula. Conseguimos por meio de análise, planejar uma aula que considera pontos relevantes apresentados no filme, tais como: as relações sociais, a sociedade civil, solidariedade e conflitos, diversidades sócio culturais, divisão de classes sociais, inversão na transformação humana, importância da comunicação, entre outros. Propusemos ainda, algumas atividades como: debates em sala de aula, pesquisas acerca das relações interpessoais na sociedade contemporânea, curiosidades sobre os naufrágios, possíveis notícias da época do lançamento do filme, diferenciação das culturas, reflexão acerca da busca pela sobrevivência e a da importância da comunicação. Essa atividade foi realizada no Colégio Estadual Cianorte, tendo em vista que o local viabilizou meu encontro com a Leila, outra cursista companheira de atividade. É importante para nós, enquanto alunos de um curso em multimeios didáticos, estarmos realizando este tipo de trabalho, uma vez que ao atuarmos junto ao professor podemos contribuir com sua aula no sentido de propor debates, dar sugestões, etc., tendo em vista que já possuímos conhecimentos prévios adquiridos durante o curso.
Como segunda atividade prática, entrevistei o Professor Pedagogo Cláudio Madureira de Andrade, que atua nesta função nos colégios Primo Manfrinato e Caio Moreira, e ainda trabalha em sala de aula com uma 2ª série na Escola Municipal Jorge Moreira da Silva, acerca da contribuição dos conhecimentos psicológicos no cotidiano escolar. Foi perceptível, por meio dessa entrevista, a verificação de como os aspectos psicológicos contribuem de forma efetiva no cotidiano escolar e a importância do professor ter bem definidos tais conhecimentos, uma vez que esses além de viabilizarem uma melhor atuação demonstram o comprometimento do mesmo com relação à educação.
O estudo de um caso de indisciplina na escola, em uma abordagem psicológica, foi a terceira atividade prática realizada. Essa possibilitou-nos verificar a responsabilidade atribuída à Psicologia na solução dos mais variados problemas existentes na sociedade contemporânea. Foi possível perceber que muitos estudiosos, a fim de atender as demandas dessa sociedade, têm procurado estruturar, no plano teórico, uma psicologia de base marxista, capaz de analisar o psiquismo humano a partir de sua historicidade, considerando o processo educacional como condicionado.
Vale ressaltar que as atividades práticas propostas são de grande valia para formação continuada dos Agentes Educacionais. Precisamos ter claros alguns conceitos psicológicos para podermos contribuir de forma eficaz no processo de ensino-aprendizagem. Em posse de tais conhecimentos, é possível uma reflexão mais elaborada acerca do contexto psicológico no qual o aluno se insere e, consequentemente, uma atuação no sentido de viabilizar o construto teórico, o saber elaborado de nossos alunos.
Nada mais havendo a relatar, atenciosamente,



__________________________
Rosilene de Lima
Cursista

MÓDULO 4 - MEMORIAL

Tutora: Aurineide Maria Moreno Hauth

Grupo: Edna Cabral Sanches;
Fabiana Rodrigues dos Santos;
Helton Penachio;
Izabel Ferreira de Souza;
Leila Maria Magalhães da Silva Garcia;
Rosilene de Lima.


Módulo IV

CONTRIBUIÇÕES FREUDIANAS PARA A EDUCAÇÃO

O médico austríaco Sigmound Freud, assim como vários outros pensadores, contribuiu sobremaneira para o âmbito humano. Dedicou seus estudos, entre outras áreas, ao campo da neurologia e à aplicação da hipnose em pacientes histéricos, fatores que contribuíram para a construção de um campo até então inexistente, o da Psicanálise (RAFFAELLI, 2006).
No que tange a educação, pode-se dizer que não houve um estudo específico destinado a ela, entretanto, por meio de seus estudos acerca do desenvolvimento sexual infantil e do papel da linguagem, é perceptível sua contribuição no que concerne aos aspectos ou avanços educacionais.
Segundo Pedroza (2006, p.70), para esse grande pensador “[...] a sexualidade no homem não é apenas dada pelo seu desenvolvimento biológico, mas é formada, principalmente, por uma energia que ele chamou de libido, que é motor de busca de satisfação de nossos desejos”. Demonstrou em sua teoria que o impulso sexual já se manifesta no bebê, entretanto, é na idade adulta que a escolha sexual tende a ser definida. Dividiu a seqüênciação dos impulsos sexuais em cinco fases de desenvolvimento, a saber, oral, anal, fálica, latência e genital.
A revelação, por Freud, das fases de desenvolvimento dos impulsos sexuais, acima expostos, causou espanto, pois, até então, a criança era vista como um símbolo de pureza, um ser assexuado (BRAGA, 2003). Nesse período, final do século XX, de acordo com Kupfer (S/D), predominavam as explicações orgânicas e psiquiátricas para doenças como psicoses, histeria e esquizofrenias e pouco eram conhecidas as causas das mesmas. Freud queria descobrir as origens, principalmente da histeria, doença cujos sintomas eram vômitos, alucinações visuais, contrações, paralisias parciais, perturbação de visão, ataques nervosos e convulsões e pela qual a maioria dos pacientes o procurava.
Ao estudar, então, a histeria, avaliou que as idéias incompatíveis, expulsas pelo “eu” e tornada inócua por sua transformação somática, são quase sempre de natureza sexual. Sendo assim, na sexualidade poderia ou não haver algo de insuportável? Tinha essa dúvida, a qual o conduziu à educação, no sentido de verificar qual papel que exerce na condenação da sexualidade. Isso o levou à descoberta da sexualidade infantil (KUPFER, S/D).
A moral transmitida pela educação, segundo Kupfer, sugere aos sujeitos algumas noções, tais como pecado ou vergonha que devem ter diante das práticas sexuais. Dessa forma, avalia como não necessário o abuso excessivo da autoridade educacional acerca dessas questões.
Para compreender a sexualidade infantil, Freud realizou estudos sobre as perversões. Constatou que nos seres humanos estão presentes práticas de natureza perversa, que desaparecem por meio da repressão. A cada um dos aspectos perversos como exibicionismo e prazer de sucção (contato com o seio da mãe), entre outros, presentes na sexualidade infantil, Freud denomina “pulsões parciais”, visto que é dirigida ao próprio corpo da criança, que por sua vez não busca um outro corpo como ocorre no desenvolvimento da genitalidade (KUPFER, S/D).
Ainda de acordo com Kupfer, quando é dirigida a um alvo não-sexual, visando objetos socialmente valorizados, a pulsão é dita como sublimada. Trata-se de uma busca por um objeto, na qual pode “[...] haver uma dessexualização, pois a energia (libido) continua a ser sexual, mas o objeto não o é mais. Pode-se citar como exemplo a seguinte situação: diante de uma criança com uma acentuada manifestação da pulsão anal, um educador pode agir de modo a transferir a energia da libido da criança para a atividade de esculpir em argila, substituindo a manipulação das fezes. A antiga ânsia ainda se faz presente, só que de um modo mais brando, justificando a busca daquela atividade sublimada” (KUPFER, S/D, p.4).
Conforme Kupfer clarifica, as pulsões sexuais parciais e claramente perversas são fundamentais para a sublimação. A ação educativa ao “atacar” tais pulsões, pode provocar o seu fracasso. Assim, vale ressaltar a defesa de Freud que sem perversões não há sublimação, ao passo que sem a última não há cultura.
Nesse sentido, no que se refere à educação, resta “[...] dirigir de forma mais proveitosa a energia que move tais pulsões, transformando, por exemplo, a pulsão escópica em curiosidade intelectual, desempenhando papel muito importante no desenvolvimento do desejo de saber” (KUPFER, S/D, p.4).
O próprio Freud, de acordo com Kupfer, não tinha métodos voltados à educação, mas esperava que os educadores construíssem seus métodos e criassem modos de operação, ele acreditava que um professor que entendesse a psicanálise poderia agir melhor com seus alunos. Declarou que “[...] o educador é aquele que deve buscar, para seu educando, o justo equilíbrio entre o prazer individual e as necessidades sociais.” (KUPFER, S/D, p.5).
A autora coloca, ainda, que no período em que Freud formula as relações entre cultura e sublimação, tem um discurso considerado otimista. Freud era muito consultado a respeito da melhor maneira de se educar os filhos e, em suas respostas, recomendava que a criança recebesse educação sexual assim que demonstrasse interesse. Defendia que os pais e professores deveriam ter claros os conhecimentos acerca da existência da sexualidade infantil. Os pais não tinham competência para tratar desses assuntos, na opinião de Freud, pois foram crianças e, pela repressão que sofreram na infância, se esqueceram da sexualidade infantil.
Em suas pesquisas chamava a atenção de Freud o fato de que apesar do parelho psíquico sempre procurar o prazer, vários pacientes produziam sintomas desagradáveis que lhes causavam sofrimento e mesmo assim continuavam a reproduzir. Mais tarde Freud chegou à conclusão de que o desprazer não fazia parte das pulsões sexuais, mas que seria o resultado do embate entre as pulsões de autoconservação e as sexuais. Freud mudou de idéia mais uma vez em 1920 ao observar, finalmente uma classe de fenômenos que o princípio do desprazer pelo conflito não explica e através da observação da repetição de atos desagradáveis chegou à concepção da pulsão de morte, que caracteriza o desejo do indivíduo de voltar ao estado inanimado, inorgânico que possuía antes da vida. A partir desta constatação a idéia de dualidade pulsional se alterou e então Freud colocou as pulsões do eu e as pulsões sexuais como representantes da vida e a pulsão da morte como aquela que quer tirar a vida do homem (KUPFER, p. 56).
Diante da pulsão de morte e do inconsciente, estudiosos apontaram para a incompatibilidade entre educação e psicanálise na medida em que a primeira busca o bem-estar. Kupfer rebate dizendo que a repetição leva à morte e, portanto o educador deve estar sempre renovando seus métodos de maneira a privilegiar o conflito que é a fonte da vida.
Freud, segundo Kupfer, questionou suas próprias idéias sobre educação inspiradas pela psicanálise:

_O educador deve promover a sublimação, mas sublimação não se promove por ser inconsciente.
_O educador deve esclarecer as crianças a respeito da sexualidade, se bem que elas não darão ouvidos.
_O educador deve se reconciliar com a criança que há dentro dele, mas é uma pena que ele tenha se esquecido de como é essa criança. (KUPFER, S/D, p.6).

Por meio de tais questionamentos, Freud sofreu uma desilusão com a educação, tendo em vista que constatou que: “A Educação é uma profissão impossível”. A Psicanálise não serve como fundamento para a Pedagogia, assim como não serve como princípio organizador de uma metodologia educacional (KUPFER, S/D).
As teorias psicanalíticas podem colaborar no sentido de se conhecer melhor e compreender o outro e a habilidade ou falta de habilidade deste, assim, o professor deve buscar conhecimentos que lhe proporcionem lidar com situações conflituosas as quais o aluno certamente enfrentará em seu caminhar, pois um professor despreparado pode causar danos irreversíveis em seus alunos.
A educação deve ser libertadora, e não um instrumento de dominação e repressão. Esta é a proposta da psicanálise libertar o indivíduo de suas próprias prisões, ajudá-lo a entender-se.
Podemos afirmar que, basicamente, as contribuições de Freud à educação dizem respeito primeiramente à transmissão de conhecimento através dos Inconscientes. Devemos esclarecer que o Inconsciente é o conceito fundamental da psicanálise, sendo considerado por ele a terceira ferida narcísica da humanidade. Com esse conceito, podemos nos conceber também como sujeitos do desconhecimento, no qual algo sempre escapa à pretensão de controle consciente, como, por exemplo, de tudo o que aprendemos.
Outra referência de Freud à educação diz respeito à importância da relação professor-aluno, o que nos leva a pensar na questão da transferência sob o aspecto de um fenômeno que não se passa apenas entre paciente e terapeuta, mas que perpassa todas as relações humanas. Embora o que se passa na escola seja diferente, na psicanálise a transferência constitui seu próprio instrumento de trabalho.
Finalmente, uma terceira contribuição encontrada nos textos freudianos aponta para o papel da educação como auxiliar da sublimação sexual (já que seus argumentos afirmam que a curiosidade intelectual é derivada da curiosidade sexual). Quanto a essa última referência, devemos ter em mente que esse desvio pulsional necessário não deve ser excessivo e chegar a inibir o sujeito do desejo.
Tendo como base nossa reflexão acerca das contribuições Freudianas para o campo educacional e diante de tal constatação, há que se avaliar em que dimensões essa verdade se consubstanciou na era Pós-freudiana.
Ao analisarmos os estudos posteriores à Psicanálise, é possível a verificação de alguns teóricos interessados na relação da mesma com a Educação. Pode-se citar Oskar Pfister e Hans Zulliger com a tentativa da criação de uma disciplina, a Pedagogia Psicanalítica; Ana Freud com a transmissão da teoria psicanalítica a pais e professores; a transmissão da Psicanálise aos representantes da cultura interessados em ampliarem sua visão de mundo – que apesar de significativa não foi expressiva na educação; Karl Abraham, que formulou as fases do desenvolvimento afetivo-emocional da criança.
Catherine Millot, de acordo com Kupfer, é a psicanalista da contemporaneidade que melhor representa a posição de que não se pode, ou não é possível o casamento da Psicanálise com a Educação. A primeira aceita um debate com a cultura, mas nunca a sua aplicação. Somente é possível a aplicação clínica psicanalítica.
Millot dedicou seus estudos à relação da Psicanálise com a Educação, constatando que

Para que houvesse uma Educação Analítica, seria preciso que ela renunciasse àquilo que a fundamenta, que é a sua razão de ser. Precisaria deixar de ser Educação. Também não seria possível que o pedagogo ocupasse o lugar do psicanalista, exercendo uma influência analítica sobre a criança. Para isso teria que ter neutralidade e em Educação isso é impossível e até mesmo desaconselhável. (KUPFER, S/D, p. 12).


Tendo em vista os argumentos expostos acima, encerramos esse ensaio inferindo que: é possível que o educador possa se beneficiar do saber psicanalítico, tendo em vista que esse não abandone o seu papel, que não procure transferir tais conhecimentos ao saber pedagógico, isso seria um erro, um engano – é preciso buscar um equilíbrio ao se trabalhar com essas duas áreas de conhecimento, extremamente diferentes. A Psicanálise pode ser transmitida ao educador. O que não significa torná-lo um psicanalista, aplicando tais conhecimentos no trato com os alunos, longe disso, tais conhecimentos podem ser apropriados de forma a produzir efeitos na postura desse profissional enquanto educador.





Referências:

BRAGA, M. R. Conhecendo a sexualidade infantil. 2003. Disponível em: Acesso em: 12/11/2008.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Relações Interpessoais: Abordagem Psicológica. / PEDROZA, R. L. S. - Brasília: Universidade de Brasília, Centro de Educação a Distância, 2006.

BUSCH, Otto. Calendário Histórico - 1933: Grande queima de livros pelos nazistas. Disponível em: Acesso em: 10/11/2008.

KUPFER, M. C. Freud e a Educação. Disponível em: Acesso em: 12/11/2008.

RAFFAELLI, Rafael. Freud: questões epistemológicas. Cadernos de pesquisa interdisciplinar em Ciências Humanas. ISSN 1678-7730 nº 80. FPOLIS, abril de 2006.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

MÓDULO 4 - ENTREVISTA

Curso técnico de formação para os funcionários da educação. Profuncionário – Turma 03
Professora: Aurineide Maria Moreira Hauth
Aluna: Rosilene de Lima
Referência: Módulo 4


ATIVIDADE (p. 28)

Sugestão de Pesquisa: entreviste um(a) pedagogo(a), pergunte como os conhecimentos de psicologia ajudam no cotidiano dele(a), como educador(a).

Para realização dessa atividade entrevistei o Professor Pedagogo Cláudio Madureira de Andrade, do Colégio Estadual Professor Caio Mário Moreira – E F M, que também atua como Professor pela Rede Municipal de Educação Básica, em Cianorte, na Escola Municpal Jorge Moreira da Silva, em uma 2ª série do Ensino Fundamental.
O professor acima mencionado considera de suma importância uma formação que contemple os conhecimentos psicológicos, tendo em vista que para o aluno que se quer formar na atualidade, cidadão crítico, humano, sob a ótica da diversidade de cultural, é extremamente relevante considerar a influência dos fatores psicológicos. O conviver com o diferente, além de outras questões que envolvem a psicologia, requer certo cuidado nessa formação, a qual o professor tem papel fundamental, uma vez que a formação do professor é subsídio para a formação do aluno.
Segundo o professor Cláudio, os conhecimentos psicológicos são muito importantes na identificação das diversas situações que encontramos em sala de aula, tais como: quando a criança está estressada, nervosa ou agressiva; quando está com algum problema pessoal, interferindo em sua aprendizagem; no bom ou mau relacionamento com os colegas; entre outros. Dessa forma, evidencia-se uma preocupação, por parte do professor, com a questão comportamental dos alunos e seus reflexos no processo de ensino aprendizagem.
Outro fator mencionado pelo professor é a questão das etapas do desenvolvimento, muito estudadas em Psicologia da Educação. Avalia esses conhecimentos como expressivos, uma vez que possibilitam ao profissional, que atua em sala de aula, a identificação dos estágios de desenvolvimento da criança, tornando-o apto a trabalhar os conteúdos de acordo com a capacidade de aprendizado da criança.
Tais fatores devem ser levados em conta uma vez que, na sala de aula temos, normalmente, alunos na mesma faixa de idade, entretanto, cada qual apresenta um estágio diferente de desenvolvimento, acompanhando ou não os conteúdos que são mediados. Conhecer e reconhecer essa diferenciação é que faz a diferença de um bom profissional da educação.

MÓDULO 4 - ESTUDO DE CASO

Curso técnico de formação para os funcionários da educação. Profuncionário – Turma 03
Professora: Aurineide Maria Moreira Hauth
Aluna: Rosilene de Lima e Leila Maria Magalhães Garcia da Silva
Referência: Módulo 4


ESTUDO DE CASO

Nessa atividade, nos foi proposto realizar um estudo de caso de indisciplina na escola em que atuamos, a saber, Colégio Estadual Professor Caio Mário Moreira – E F M. Para tanto, consideramos questões que nos propiciaram um aprofundamento maior acerca dos aspectos psicológicos apresentados no módulo 4, o qual trata das relações interpessoais, inerentes à ação profissional dos Agentes Educacionais.
Optamos por analisar o caso do aluno G. G. D., de 12 anos, da 5ª série do Ensino Fundamental, por considerarmos de suma importância a sua apreciação, tendo em vista que envolve fatores fundamentais para a formação humana e evidencia o papel da escola e dos atores envolvidos no processo de formação desse sujeito.
O aluno supracitado estudava anteriormente na Escola Municipal Castro Alves, na qual também apresentava problemas de indisciplina. Ao chegar ao colégio Caio, em 2007, foi matriculado na 5ª série do Ensino fundamental, período vespertino. Por apresentar dificuldades de aprendizagem detectadas pela escola e confirmadas por laudo médico, o aluno foi remanejado para o período matutino, pois deveria freqüentar a Sala de Recursos, fundamental, segundo a Equipe Pedagógica, para a recuperação do aluno, mas era ofertada apenas à tarde. Apresentava e ainda apresenta desvio de conduta, perturba e agride os colegas da sala, rouba seus materiais escolares, desrespeita os professores, não registra os conteúdos no caderno, “mata” as aulas, foge de casa e da escola, entre outros.
O colégio tomou várias providências com relação ao aluno, entre elas: a convocação da família para auxiliar no caso; o encaminhamento à Sala de Recursos, citada anteriormente; o encaminhamento ao neurologista, que considerou necessária a prescrição de medicamentos para conter a hiperatividade do aluno; o encaminhamento à psicóloga; o encaminhamento ao Conselho Tutelar, que tentou juntamente com a família mudar a situação; solicitou atendimento da Patrulha Escolar em várias situações de roubo e agressões; reuniu o Conselho Escolar para tentar solucionar o problema; etc.
Com relação aos remédios prescritos pelo neurologista, a escola percebeu que não vinham sendo tomados e convocou a família para averiguação. Constatou-se que o aluno não vinha tomando o remédio regularmente, nos horários estipulados. Assim, a escola se responsabilizou em ministrar a medicação no horário de aula para garantir que G. se medicasse. Porém, mesmo ministrando os remédios na escola, a mesma percebeu que não estava causando o efeito esperado e foi então que, por meio de investigação, descobriu que o aluno estava fingindo tomar os remédios, “guardava-os” sob a língua e ao se retirar da sala onde se medicava o jogava fora. Para evitar que o fato se repetisse a escola passou a diluir a medicação em água antes de dar para o menino tomar.
Todas as medidas acima mencionadas foram tomadas em conformidade com a Lei 9394/96 que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Projeto Político Pedagógico da Escola e o Regimento Escolar. Tais disposições se consubstanciam em tentativas da escola de garantir, baseada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade, do art 2º da LDB, o pleno desenvolvimento do educando, preparando-o para o exercício da cidadania e qualificando-o para o mercado de trabalho.
Todavia, todo esforço desempenhado pela escola, família, médico, psicóloga, Conselho Escolar e Conselho Tutelar não tem demonstrado resultado satisfatório, uma vez que o aluno continua com o mesmo tipo de comportamento. Para se ter uma idéia da gravidade da situação, a pedagoga da escola relatou que G. foi encontrado pela Polícia Rodoviária de Campo Mourão, juntamente com um colega, pendurado em um chassi de caminhão que ia de Cianorte a Campo Mourão; em um outro dia, foi preso em flagrante, por roubo, na cidade de Sarandi e liberado no dia seguinte. São situações extremas, que colocam em risco a própria vida do aluno.
Diante do exposto, procuramos analisar o que há por trás das atitudes tomadas por essa criança, que aos 12 anos de idade é usuária de drogas e comete tantos delitos. Foi então que, questionando a pedagoga da escola, descobrimos que o aluno é uma criança adotada. Mora com a avó e alguns tios que, por serem criados juntos, chama-os de irmãos. Sua mãe ficou grávida muito jovem, era dependente química e não tinha maturidade para cuidar um filho.
O comportamento de G. tem se tornado insustentável para família. Tanto que a avó o mandou morar com a mãe por algum tempo, medida que não funcionou e o menino teve que retornar. A família é presente na vida escolar do aluno, vem à escola sempre que convocada. Entretanto, acredita que todas as possibilidades de ações foram realizadas na tentativa de conscientizar G. a mudar o seu comportamento, não sabe mais o que fazer.



Reflexão
Conforme verificamos na análise do módulo 4, à Psicologia tem sido atribuído o papel de solucionar os mais variados tipos de problemas da sociedade contemporânea. É certo, consoante estudo realizado por Barros, Lima e Pancotte (2008) que algumas tendências pedagógicas possuem relação restrita com teorias psicológicas, buscando nessas como se desenvolvem os processos de ensino-aprendizagem.
As autoras fazem referência à trajetória da construção de uma Psicologia comprometida com a socialização do saber acumulado pela humanidade, sugerindo um resgate dos aspectos históricos da Psicologia na escola.
Nesse sentido, por meio de análise dos estudos de Facci (2004), pautada nas pesquisas de Saviani, nas quais divide as tendências pedagógicas em dois grupos, a saber, teorias críticas e teorias não críticas, as autoras observaram que, durante a Escola Tradicional (1º grupo), elitista, a Psicologia era uma prática fechada, realizada em laboratórios anexos às escolas. Na Escola Nova (1º grupo), de respeito à individualidade da criança, a Psicologia caracterizou-se “[...] pela prática do diagnóstico e o tratamento da população escolar de maneira espontânea e livre.” (BARROS, LIMA e PANCOTTE, 2008, p. 3045).
Segundo as autoras, na década de 1960, a Psicologia começou a considerar os aspectos sociais em suas análises, relacionando a carência cultural ao fracasso escolar, possibilitando a estabilização de uma Psicologia escolar. Na década de 70 do século XX, durante a abordagem pedagógica tecnicista, com a introdução da tecnologia educacional, a complementação psicológica vem da Análise Experimental do Comportamento (FACCI, 2004). A Psicologia passou a ganhar mais espaço no campo escolar, atuando com práticas de ajustamento social e algumas medidas para solucionar problemas do contexto escolar.
Tendo em vista as práticas realizadas nas tendências supracitadas, denominadas por Saviani como teorias não-críticas, que “[...] entendem ser a educação um instrumento de equalização social [...]” (SAVIANI, 2002, p. 3), houve um descontentamento e desestímulo dos docentes que, fortalecidos pelas teorias crítico-reprodutivistas, desencadearam um processo de crítica aos encaminhamentos políticos e educacionais a que vinham se submetendo.
Nesse contexto, diversos estudiosos se esforçaram no sentido de viabilização de uma educação não reprodutora, que possibilitasse uma elaboração crítica à sociedade capitalista e estabelecesse critérios para sua superação. Surge então, a Pedagogia Histórico-Crítica, que vê na educação como “[...] o ato de produzir, direta e intencionalmente, em cada indivíduo singular, a humanidade que é produzida histórica e coletivamente pelo conjunto dos homens.” (SAVIANI, 2003, p. 13).
A partir da concepção histórico-crítica de educação, muitos psicólogos passaram a criticar a fragmentação de resultados de análises descontextualizadas. Passa-se a considerar aspectos como a interação dos sujeitos com o social, suas condições reais de vivência, fatores estritamente ligados ao desenvolvimento humano do indivíduo.
Tendo em vista a trajetória da Psicologia, exposta acima, levantamos alguns questionamentos, os quais consideramos coerentes diante do panorama apresentado. Em que pode a Psicologia contribuir para solucionar problemas como o do aluno G.? Quais fatores devem ser considerados ao tratar com um caso tão delicado? Será a escola responsável por esse feito? De que forma a pedagogia ou a psicologia escolar devem agir mediante a tal situação?
Avaliamos que o levantamento de questões como essas são de suma importância na tentativa da consolidação dos objetivos educacionais. Produções da atualidade tem procurado estruturar, no plano teórico, uma Psicologia educacional de base marxiana, que pretende

[...] analisar o psiquismo humano a partir da historicidade de todos os fenômenos e considerar o processo educacional inserido em e decorrente de condições materiais determinadas. [...] procurar avançar nas relações entre o desenvolvimento do psiquismo e o processo de escolarização, com a finalidade de transformar a visão de homem presente na prática pedagógica, entendendo-o como aquele que, tendo sua consciência modificada pela apropriação do conhecimento científico, pode provocar mudanças na sua prática social. (FACCI, 2004, p.100)

Acreditamos que a prática de uma Psicologia pautada nos pressupostos acima mencionados, é capaz de fortalecer a compreensão e auxiliar na solução dos diversos problemas de indisciplina encontrados no cotidiano escolar. Nesse sentido o caso do aluno G. seria um a menos a constar na grande lista das escolas.

Referências:

BARROS, M. S. F.; LIMA, R.; PANCOTTE, R. P. Formação de Professores: Uma Análise da Dialética Materialista como base da Prática Educacional. In: CONGRESSO NACIONAL DE LINGUAGENS EM INTERAÇÃO. 2.: 2008 out. 7 a 10: Maringá, PR. Anais do 2º CONALI: Congresso Nacional de Linguagens em Interação. SILVA, et. Al (Orgs.), Maringá, PR. Departamento de Letras. Ed., 2008. 1 CD-ROM: il. Color; 4 ½ pol.

FACCI, M. G. D. Teorias Educacionais e Teorias Psicológicas: em busca de uma psicologia Marxista da Educação. In: Duarte, N. Crítica ao Fetichismo da Individualidade. Campinas, SP: Autores Associados, 2004.


SAVIANI, D. Pedagogia Histórico-Crítica: primeiras aproximações. 8ª ed. revista e ampliada - Campinas, SP: Autores Associados, 2003.

__________. Escola e Democracia: teorias da educação, curvatura da vara, onze teses sobre a educação política. 35ª ed. revista – Campinas, SP: Autores Associados, 2002.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

MÓDULO 3 - MEMORIAL

Curso técnico de formação para os funcionários da educação. Profuncionário – Turma 03
Professora: Aurineide Maria Moreira Hauth
Aluna: Rosilene de Lima
Referência: Módulo 3

MEMORIAL DO MÓDULO 3 E RELATÓRIO DA PRÁTICA PROFISSIONAL SUPERVISIONADA DA FORMAÇÃO PEDAGÓGICA

Assunto: Relatório das Atividades Práticas desenvolvidas nos Estabelecimentos de Ensino.

Objeto da Apuração: Entrevistas e Observações

Local: Colégio Estadual Professor Caio Mário Moreira – E F M e Escola Estadual Princesa Izabel – E F (Estágio)

Data: Outubro de 2008


Senhora Tutora do Curso Profuncionário Multimeios Didáticos:


Este relatório objetiva demonstrar os resultados das atividades práticas desenvolvidas nos estabelecimentos de ensino: Colégio Estadual Professor Caio Mário Moreira, no qual trabalho, e Escola Estadual Princesa Izabel, na qual estou realizando o estágio. Foram realizadas de 27/09/2008 a 18/10/2008, período em que foi trabalhado conosco o terceiro módulo do curso, com o livro “Homem, pensamento e cultura: abordagem filosófica e antropológica” de Dante Diniz Bessa, contemplando 5 unidades de conteúdos expressivos que possibilitam a apropriação de questões que nos tornam capazes de problematizar, investigar e criticar a participação na escola, tendo em vista a construção de nossa identidade profissional, enquanto trabalhadores da educação.
Como primeira atividade prática, entrevistei uma aluna de 15 anos, estudante do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual professor Caio Mário Moreira, vinda de uma outra escola da Rede Estadual de Cianorte em agosto de 2008, e um aluno (F. D. T.) da Escola Estadual Princesa Izabel questionando como se deu esse processo de mudança de uma escola para outra e de que forma foi encarado por ela. Questões como: a forma e circunstância em que se deu essa transferência, de que maneira o aluno foi recebido, quais os pontos que considerou diferentes entre uma escola e outra, em termos pedagógicos, políticos, etc., qual a impressão que teve da nova escola, se teve dificuldades no que concerne aos conteúdos e à aprendizagem, de que forma estabeleceu relações ao chegar à escola, entre outras, foram consideradas na entrevista a fim de analisar as situações diversas pelas quais passam os alunos recém chegados às escolas.
Como segunda atividade prática observei o recreio dos professores, funcionários e alunos das duas escolas supracitadas com o objetivo de analisar como vem se dando o construto escolar, quais as significações que vêm sendo elaboradas pelas personagens da escola, que linguagem é abordada nesse momento e de que forma essa problemática muda a construção histórica dessa parcela da sociedade. Para conceitualizar como se realiza essa significação foi fundamental analisar como se expressam as relações e o uso da linguagem em meio ao ambiente escolar. Identifiquei que por meio da linguagem os indivíduos observados se expressaram, representaram coisas, ações, sentimentos. A partir dela criam condições de fazer essa simbolização, de registrar em suas memórias fatos, momentos ou acontecimentos e realizarem suas construções individuais, e por meio dessas, construírem uma história coletiva, de um grupo social que é o grupo escolar.
A entrevista com um aluno acerca do seu entendimento no que concerne ao trabalho da secretaria da escola foi a terceira atividade prática desenvolvida. Esta se deu sob forma de questionário, no qual priorizei questões como as que podem ser observadas no documento “Alunos chegados recentemente à escola”.
A quarta e última atividade proposta do terceiro módulo foi uma entrevista com a professora da Sala de Recursos V. G. Nessa foram priorizadas questões como as que podem ser observadas no documento “Entrevista com a professora da sala de recursos”.
É relevante salientar, que os conhecimentos apreendidos por meio das atividades acima relatadas possibilitam aos profissionais da educação uma formação e qualificação adequada ao ambiente escolar. É de fundamental importância verificarem-se como sujeitos inseridos no processo organizacional da escola e agentes de transformação escolar, social e humana. Os estudos referentes aos aspectos históricos são essenciais para esse entendimento e as pesquisas em torno dos aspectos organizacionais do trabalho pedagógico escolar evidenciam a conscientização da atividade prática do cotidiano desse profissional e o comprometimento do mesmo nas finalidades educacionais.
Nada mais havendo a relatar, atenciosamente,



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Rosilene de Lima
Cursista

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

MÓDULO 3 - Alunos chegados recentemente à escola

Curso técnico de formação para os funcionários da educação. Profuncionário – Turma 03
Professora: Aurineide Maria Moreira Hauth
Aluna: Rosilene de Lima
Referência: Módulo 3


Reflexão (p.31) – Alunos chegados recentemente à escola.

É possível, por meio do cotidiano escolar, analisar situações diversas pelas quais passam os alunos recém chegados à escola, tais como: a forma e circunstância em que se deu essa transferência, de que maneira o aluno foi recebido, quais os pontos que considerou diferentes entre uma escola e outra, em termos pedagógicos, políticos, etc., qual a impressão que teve da nova escola, se teve dificuldades no que concerne aos conteúdos e à aprendizagem, de que forma estabeleceu relações ao chegar à escola, entre outras.
No intuito de clarificar questões como as acima expostas, foram realizadas entrevistas com alunos, na escola em que atuo e na escola em que realizo o estágio, que passaram por uma situação semelhante, segue abaixo:


Relatório da entrevista com a aluna do Colégio Estadual Professor Caio Mário Moreira, Camila Lima Borges .

A aluna do 2º ano do Ensino Médio, Camila Lima Borges, de 16 anos, foi transferida do Colégio Estadual Durval Ramos Filho, Andirá – PR, para o Colégio Estadual Professor Caio Mário Moreira, Cianorte – PR, em 26 de maio de 2008. A referida aluna teve que se mudar para esta cidade considerando duas questões: primeiro que a sua avó materna já morava em Cianorte, o que fazia com que sua mãe quisesse se mudar para o município afim de ficar mais próxima da mãe e, segundo, as condições de trabalho de Cianorte eram melhores para a mãe da aluna.
Segundo Camila, esse processo de mudança de uma escola para outra foi estranho - “esquisito” no início, pois não conhecia ninguém. Mas considera que foi bem recebida por todos da turma, inclusive os professores que foram atenciosos e pacientes com a questão dos conteúdos que não havia estudado.
Um problema que enfrentou, ou melhor, ainda está enfrentando, é a recuperação dos conteúdos das disciplinas de Química, Física e Inglês, pois na escola que estudava anteriormente era matriculada no curso profissionalizante de Magistério. O curso de Magistério possui um currículo diferenciado do Ensino Médio e as disciplinas mencionadas não estavam sendo estudadas pela aluna na outra escola, fazendo-se necessária uma recuperação de estudos do período em que a aluna não estudou as disciplinas.
Outro fator foi a questão de adaptações dessas mesmas disciplinas, mas referente ao 1º ano do Ensino Médio. A aluna foi orientada pelo colégio da possibilidade de continuar seus estudos do curso de Magistério no Colégio Estadual Cianorte, tendo em vista que o Colégio Caio não oferta essa modalidade de ensino. Mas, mesmo ciente de todo esse processo que teria que passar, de recuperar os estudos que perdeu no corrente ano letivo e fazer adaptações das disciplinas que não teve no 1º ano, optou por enfrentar essa situação e cursar o Ensino Médio, não quis continuar o Magistério.
Quanto à estrutura física, considerou a da escola atual como ótima. Comentou ser bem melhor, possuir mais recursos, dar mais oportunidades de pesquisas para os alunos, entre outros.
Por fim, a aluna relatou que, agora, que já passou por todo esse processo de adaptação, gostou de ter mudado de escola. Sua transferência atendeu as necessidades que tinha no momento e ainda permitiu fazer novas amizades e conhecer outra realidade, diferente da que estava acostumada em Andirá.


Relatório da entrevista com o aluno da Escola Estadual Princesa Izabel, Wellington Pereira dos Santos.

O aluno da 7ª Série, Wellington Pereira dos Santos, de 14 anos, foi transferido de um colégio de Campo Mourão – PR, para a Escola Estadual Princesa Izabel em 22 de Setembro de 2008. O aluno teve que se mudar para Cianorte devido ao seu padrasto já morar aqui, em Cianorte, e ele morar em Campo Mourão com sua mãe, o que provocava a ida freqüente do padrasto para a cidade que o aluno morava. Para facilitar a situação a mãe do aluno resolveu se mudar para cá trazendo o menino consigo.
Segundo Wellington, foi bem recebido por todos. Considera o pessoal da escola “muito bacana”, pois todos deram atenção à ele, especialmente os professores. Relatou que na escola que estudava anteriormente não tinha a atenção que é dispensada aos alunos daqui.
No que diz respeito à estrutura física, Wellington considerou bem parecidas as duas escolas. Relatou que a escola anterior havia passado por uma reforma recentemente, assim como a escola Princesa Izabel. Também possuía laboratório de Informática e TVs pen-drive, como a escola atual.
Passou por alguma dificuldade, com relação aos conteúdos, assim que chegou à escola, pois quando veio de Campo Mourão não tinha terminado o 3º Bimestre e ainda não havia realizado as avaliações. Ao chegar em Cianorte a escola estava em semana de provas e os conteúdos eram um pouco diferenciados o que fez com que não fosse muito bem nas provas. Considera que tudo já está se normalizando, está conseguindo recuperar suas notas e estabelecer um bom relacionamento com todos da escola.

MÓDULO 3 - Entrevista com a professora da Sala de Recursos

Curso técnico de formação para os funcionários da educação. Profuncionário – Turma 03
Professora: Aurineide Maria Moreira Hauth
Aluna: Rosilene de Lima
Referência: Módulo 3


Entrevista com a profª da Sala de Recursos

Em entrevista com a professora da Sala de Recursos, Vânea Gonçalves Pires do Nascimento, acerca da inclusão do aluno especial, a mesma fez as seguintes considerações:
• A maioria dos alunos que freqüentam a Sala de Recursos não são discriminados, até mesmo porque não são especiais, têm dificuldades ou distúrbios de aprendizagem.
• Apenas uma aluna da Sala de Recursos, E. F. P., que é portadora de deficiência mental leve, é, em seu ponto de vista, discriminada. Os alunos da turma não querem fazer trabalhos ou atividades em grupo com ela, tendo em vista que se sentem prejudicados por a aluna não realizar com a mesma precisão as atividades ou pelo fato de terem que ajuda-la ou ensina-la, o que toma tempo dos mesmos.
• Quanto à estrutura física da escola, avalia como boa para os alunos especiais, cadeirantes, que hoje estão matriculados na escola. A escola está bem adaptada com rampas, banheiros próprios e carteiras adaptadas. Considera esse tipo de inclusão como positiva, visto que os dois alunos não são deficientes mentais, são apenas paralisados cerebrais, com parte do corpo comprometida. Na APAE esses alunos não teriam o atendimento que tem na escola, pois lá a formação é voltada para a capacitação profissional, ou seja, para a inserção no mercado de trabalho.
• A escola está adaptada para o caso acima citado, entretanto, se receber um aluno de baixa visão ou cego, por exemplo, não está apta para trabalhar com esse aluno. Assim, considera a estrutura física como parcialmente preparada para a inclusão.
• A professora avalia que para muitos professores, que não possuem formação em educação especial, a inclusão é vista de forma negativa, pois não estão preparados para trabalhar com esse alunado. Consideram extremamente difícil, por não terem muita comunicação e também por terem que fazer dois planejamentos, duas avaliações, ou seja, o trabalho é dobrado.
• Quando ocorre distribuição de aulas da turma em que esses alunos estão matriculados, os professores não querem assumir as aulas da turma. Essa é uma forma de discriminação.
• Considera que para uma inclusão responsável realmente acontecer é pertinente uma preparação geral, desde o diretor da escola, os funcionários, a comunidade escolar e os professores das diversas disciplinas. É necessária ainda uma mudança no próprio planejamento da escola, dando um incentivo maior nas políticas de inclusão social.